Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Secretaria da

Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação

Início do conteúdo

Agroindústria de Parobé participa pela sétima vez da Expointer com doces artesanais e histórias de superação

Frase que marcaria o negócio da família surgiu na edição de 2018 da feira

Publicação:

Júlio Gelinger, à direita, com a esposa Adriana Fernandes da Silva e o filho Raul Cesar Gelinger na agroindústria em Par
Agroindústria familiar produz cerca de 500 rapaduras diárias - Foto: Fernando Dias/Seapi
Por Elstor Hanzen

Na sua primeira participação na Expointer, em 2018, Júlio Cesar Gelinger, 50 anos, da terceira geração da agroindústria Colonial Gelinger, de Parobé enfrentava um tratamento contra um câncer de pele e lidava com a depressão. Em meio à incerteza e inquietação, surgiu a frase que marcaria seu negócio: "A melhor rapadura do mundo". 

"Gritei essa frase em frente à banca. Cinco pessoas vieram na hora. Entreguei a rapadura e disse: ‘Na minha opinião, é a melhor. Mas a sua opinião é mais importante’”, recorda. 

Júlio garante que a marca não nasceu de uma estratégia de marketing, mas da necessidade de reinventar o negócio da família e, ao mesmo tempo, cuidar da própria vida. 

Novidades para a edição deste ano 

Há sete anos, a Colonial Gelinger marca presença em todas as edições da Expointer. Em 2024, lançou a rapadura ao leite, a partir da sugestão de um funcionário. Para 2025, Júlio antecipa duas novidades: a rapadura crocante com amendoim e a rapadura ao café, ainda em fase final de testes, mas com lançamento garantido para o evento. 

A participação na Expointer mudou o rumo da agroindústria. Mais do que vendas imediatas, segundo Júlio, a visibilidade conquistada na feira abriu portas para novas parcerias, encomendas no atacado, contratos com e-commerces e até convites para eventos fora do Estado. 

“Muitas vezes, a gente nem imagina o resultado na hora. Mas depois da feira, começam a surgir os contatos, os pedidos. A Expointer é um divisor de águas para o pequeno produtor”, avalia. A produção também cresceu bastante desde 2015, ele conta.

“No começo, saíam cerca de 45 unidades por dia, cada uma com 460 gramas. Hoje, são 500 rapaduras diárias, feitas em escala familiar, mas com padrão rigoroso”, revela. 

O melado da propriedade é base de uma paçoca elogiada, vendida em potes, além da tradicional versão batida e do pé de moleque. 

“A história da família Gelinger é uma inspiração para toda a agricultura familiar gaúcha. Mostra como a força do trabalho, aliada à criatividade e à coragem de empreender, transforma dificuldades em oportunidades”, afirma o diretor do Departamento de Agroindústria Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Flávio Smaniotto. 

A cana é cultivada na lavoura de três hectares, na propriedade onde funciona a agroindústria, em Parobé. De lá vem o melado usado na produção dos doces que sustentam Júlio, a esposa, dois filhos e cinco funcionários da empresa familiar. 

Sobre a agroindústria Colonial Gelinger 

A história da família Gelinger começou em 1951, com a produção de cachaça artesanal. Já a receita da rapadura surgiu em 1986, criada por Adino Campos, pai de Júlio. Em 2015, Júlio pediu demissão de seu emprego formal e decidiu apostar tudo em um pequeno espaço de apenas 10 metros quadrados, improvisado na área da casa que havia desabado. 

Começou a produzir e vender rapadura de porta em porta, carregando um cesto no braço. “Algumas pessoas compravam por pena, eu percebia. Mas dentro de mim, eu sabia: vai dar certo”, relembra, sem conter as lágrimas.  

O caminho foi árduo. Ele enfrentou rejeição, ajustes de receita, dificuldades financeiras e muitas noites em claro pensando em como pagar as contas. Hoje, vê com orgulho o nome da família consolidado, a produção crescendo e o reconhecimento vindo até do público mais exigente. 

Mais notícias

Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação