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Histórias de apicultores de Mel Branco são captadas nos Campos de Cima da Serra

Entrevistas fazem parte do estudo do DDPA/Seapi para conquista da IG do Mel Branco

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Caixa de abelha em propriedade de São José dos Ausentes
Caixa de abelha em propriedade de São José dos Ausentes - Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi
Por Maria Alice Lussani

A coleta de informações, depoimentos e histórias sobre a produção de mel branco segue nos municípios dos Campos de Cima da Serra. Desta vez, os pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi) estiveram em São José dos Ausentes conversando com apicultores do município. Já foram realizadas entrevistas em Jaquirana e Cambará ao longo do segundo semestre deste ano. O objetivo é coletar informações para subsidiar a solicitação da Indicação Geográfica (IG) do Mel Branco, concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Outras etapas do projeto, como a análise da composição botânica das matas onde estão os apiários foi iniciada, já foi feita coleta de dados em Cambará e Jaquirana e no próximo ano será a vez dos municípios de São José dos Ausentes e Bom Jesus.  “Ainda para o próximo ano será feita a coleta de mais um lote de amostras de mel branco que serão submetidas à análise polínica, além do levantamento dos visitantes florais da Carne- de-vaca”, explica a coordenadora do projeto, pesquisadora Larissa Ambrosini.

A Carne-de-vaca é uma espécie nativa das florestas de altitude e a principal fonte de pólen para o mel branco. A floração da Carne-de-vaca ocorre no mês de janeiro, período em que os pesquisadores deverão estar a campo para monitorar os insetos que visitam suas flores, e, consequentemente, os potenciais polinizadores da espécie.

O questionário

O questionário, com 26 questões abertas e fechadas, está sendo aplicado com o objetivo de resgatar a história do mel branco no território, descrever o manejo e verificar sua nomenclatura.

O apicultor Andrigo Santos Pereira, 30 anos, de São José dos Ausentes, foi um dos entrevistados pelos pesquisadores do DDPA. Ele começou muito cedo, com cerca de 14 anos, na atividade, e tem um conhecimento grande das matas, das floradas e do manejo.

“Eu sou encantado pela natureza e por força dos meus amigos e da minha família fui gostando da apicultura e aos poucos me especializando na atividade. Hoje, estamos com umas 200 e poucas colmeias, que ajudam a aumentar a renda da família”, conta Andrigo. Ele trabalha com os pais e a irmã na atividade, e a produção é de 20 kg por colmeia/safra, comercializada em apiários da região. Além do mel branco, a produção também conta com o mel silvestre.

“Eu sou eternamente apaixonado pela atividade apícola”, afirma Andrigo, que atualmente tem 30 anos e representa uma nova geração de apicultores. A perspectiva de valorização do mel branco representa uma oportunidade de atratividade para os jovens na apicultura da região, uma atividade que, além de gerar renda, contribui para a manutenção do ecossistema e da paisagem característica dos Campos de Cima da Serra.

Apicultor Andrigo Pereira (à direita), de São José dos Ausentes, durante entrevista aos pesquisadores do DDPA/Seapi
Apicultor Andrigo Pereira (à direita), de São José dos Ausentes, durante entrevista aos pesquisadores do DDPA/Seapi - Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi

A pesquisa

A pesquisa desenvolvida pelo DDPA/Seapi tem entre seus objetivos, além dos questionários, a caracterização do meio geográfico, das condições de solo, clima e cobertura vegetal e as análises das características desse mel, que são as análises polínicas e farmacológicas.

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