Irrigação como estratégia para estabilidade da produção é discutida em Seminário
Evento foi realizado no município de Três de Maio e contou com Dia de Campo
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No 3º Seminário de Irrigação, realizado nesta quarta-feira (10/6), em Três de Maio, região de Santa Rosa, o tema recebeu destaque enquanto estratégia de resiliência frente a adversidades climáticas e tecnologia que contribui para a estabilidade da produção em diferentes contextos. Além disso, durante o evento, os mais de cem participantes tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre políticas públicas que contribuem para a viabilização da implantação de sistemas de irrigação.
O evento foi promovido pela Emater/RS-Ascar e pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), que coordena a principal política de Estado voltada ao setor. O Seminário contou também com o apoio da Setrem e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).
O assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar Marco André Junges observa que nas regiões abrangidas pelos Coredes Fronteira Noroeste e Missões existem em torno de 180 milhões de m³ de água acumulados em pequenos e médios açudes, ou seja, o suficiente para irrigar aproximados 60 mil ha, apontando que ainda há muito potencial a ser aproveitado, seguindo as legislações vigentes. "Também temos disponível uma vasta rede de rios e riachos, que aumentam em pelo menos mais de 150% as possibilidades de áreas irrigadas", destaca Junges, ao lembrar que "é preciso adotar posicionamento mais incisivo em relação ao cessamento das perdas decorrentes de estiagens cada vez mais recorrentes, distribuindo as águas acumuladas em reservatórios ou mesmo correntes em nossos rios e riachos".
Se confirmada a previsão de El Niño e suas consequentes chuvas intensas na região no próximo semestre, deve ocorrer a abertura de uma janela de oportunidades para a reservação da água para momentos críticos em que esta se torna escassa.
Para seu êxito, a irrigação precisa, contudo, estar inserida e associada a um contexto que permita o melhor aproveitamento da água. Diante disso, o Seminário contou com a palestra do professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo, doutor Douglas Rodrigo Kaiser, que abordou o tema "Disponibilização de água às plantas e a importância da infiltração".
Os participantes também tiveram a oportunidade de acompanhar a explanação do engenheiro agrícola Valberto Müller, professor da Setrem, que abordou a irrigação desde o planejamento até a implantação.
Compreender como o sistema de irrigação acontece a campo possibilita decisões mais assertivas para a propriedade. O público se muniu de informações sobre o tema de forma prática, com a apresentação de uma das experiências exitosas implantadas no município, apresentada pelos produtores Gelson e Erick Weimer e pelo extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Três de Maio, Fábio Karlec. No período da tarde o público também teve a oportunidade de visualizar os resultados no dia de campo realizado junto à propriedade, com estações sobre Averiguação das condições físicas do solo, conduzida pelo professor da UFFS, Douglas Rodrigo Kaiser; Avaliações de campo para instalação de irrigação, orientadas pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar de Santo Cristo, Leandro Seger; e Retenção da água da chuva na lavoura, abordada pelo técnico agrícola da Emater/RS-Ascar de Tuparendi, Albino Motter.
Para viabilizar sistemas de irrigação e permitir que propriedades rurais alcancem mais segurança e novos padrões de produtividade, o Estado do Rio Grande do Sul oferece políticas públicas específicas. Nesse sentido, orientações sobre a fase 3 do Programa Irriga + RS foram abordadas pelo subsecretário de Irrigação da Seapi, Márcio Amaral.
“Estamos trabalhando para fortalecer cada vez mais a agricultura gaúcha e aumentar a resiliência das propriedades rurais diante dos desafios climáticos. O Programa Irriga+ RS do governo do Estado é uma ferramenta estratégica nesse processo, porque permite que os produtores invistam em sistemas capazes de garantir maior segurança na produção, mesmo em períodos de estiagem”, enfatiza Amaral.
Programa Irriga + RS - Fase 3
A terceira fase do Programa Irriga+RS da Seapi, lançada em março deste ano, segue com o edital aberto até 30 de outubro de 2026 para o recebimento de projetos de irrigação. A atual fase do programa prevê subvenção equivalente a 20% do valor do projeto, com devolutiva de até R$ 150 mil por produtor rural.
Para se inscrever, o produtor interessado deve procurar um técnico para elaborar e enviar o projeto e documentação. O Governo analisa e aprova o auxílio financeiro. Após comprovar a instalação do sistema de irrigação ou reservatório, o beneficiário recebe o valor da subvenção na conta.
A iniciativa busca ampliar a eficiência no uso da água, aumentar a produtividade agrícola e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos, como as estiagens recorrentes no Estado.