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Irrigação é tema de Seminário em Westfália

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Público se apropriou das informações do Programa de Irrigação e tirou dúvidas - Foto: Tiago Bald/ Emater/RS-Ascar
Por Tiago Bald/ Ascom Emater/RS-Ascar

"Hoje eu não saberia trabalhar sem irrigação. É o principal equipamento que eu tenho em casa. Aliás, eu deixei de comprar um trator, na época pra investir em um carretel." A frase dita pelo agricultor Rafael Müller, de Cruzeiro do Sul, durante o Seminário de Irrigação realizado na sexta-feira (4/7), em Westfália, resumiu o sentimento do público presente. Irrigar uma lavoura, uma horta, um pomar, ou mesmo possuir água em abundância para a dessedentação de animais faz a diferença. "Em tempos de estiagem, então, nem se fala", salientou Müller.

Produtor de leite, com 22 vacas em lactação e um rebanho com 30 animais no total, o agricultor, que reside na localidade de Boa Esperança Baixa, foi um dos que apresentou case durante a atividade. Em sua fala, o produtor não apenas explicou como o investimento se pagou rapidamente - "no mesmo ano", de acordo com ele -, como foi fundamental para a superação de dificuldades em anos como o de 2023, marcados pela forte seca. "Naquele momento, conseguimos manter uma média de produção de 160 sacos de milho por hectare, enquanto os vizinhos colhiam 70, 80 sacos", argumentou.

Com um açude de 1,2 hectares de lâmina, que bombeia água nos oito hectares de lavoura de milho e de soja, o agricultor detalhou a importância da água para um bom funcionamento de toda a estrutura da propriedade, que necessita algo em torno de 27 mil litros de água por hora nas pastagens - o que é feito com o uso de um carretel e um sistema de aspersão. Em sua fala comentou ainda que o investimento feito há oito anos em bombas, tubulações e no próprio carretel foi de cerca de R$ 150 mil. "Imagina o quanto não teríamos perdido de em recursos frente as estiagens dos últimos anos?", questionou.

A fala de Müller foi ao encontro da do produtor Osmar Jacobs, de Teutônia, que apresentou o segundo case da tarde. Morador da Linha São Jacó, o experiente bovinocultor de leite se comoveu ao apontar os benefícios de um sistema de irrigação. E de como este foi transformador para a realidade da família, especialmente pela garantia de estabilidade na produção. Em sua fala, mencionou que chega a deixar o sistema por aspersão ligado de seis a oito horas seguidas, o que garante uma lavoura de milho sempre verde que, mais adiante, servirá como alimento para o rebanho leiteiro de mais de 100 animais.

Sempre aberto a conhecer novas ferramentas tecnológicas, seu Jacobs, do alto dos seus mais de 70 anos de idade, garante ter tomado contato pela primeira vez com o tema após uma visita à uma estação experimental situada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Eldorado do Sul, em 2012. "São essas coisas que fazem o nosso trabalho evoluir, até mesmo porque temos água em abundância durante o ano, cabendo a nós a responsabilidade de guarda-la", observou o produtor. "Aquele ano, aliás, foi de muita seca e a sanidade daquela lavoura impressionava", frisou.

Atenta a todo esse contexto, as secretarias de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) do governo do Estado, e a Emater/RS-Ascar tem feito uma série de seminários pelo RS em que buscam apresentar ao público o Programa Irriga+ RS, além de destacar normas ambientais vigentes e mostrar os já citados cases. O evento de Westfália ocorreu no Parque Municipal de Eventos e reuniu produtores, representantes de entidades, técnicos da Emater e lideranças, com o objetivo de debater práticas sustentáveis no uso da água e divulgar políticas públicas ligadas à irrigação.

"Especialmente em um cenário de seguidas estiagens, a irrigação se apresenta como ferramenta fundamental de fortalecimento da agricultura familiar", apontou o subsecretário de irrigação da Seapi, Paulo Salerno. Em sua palestra detalhou o programa que está destinando recurssos para projetos de irrigação e reservação da água, que podem ser financiados por bancos ou com recursos próprios, com 20% de subvenção no projeto e um teto máximo de R$ 100 mil por beneficiário. O edital segue aberto até o dia 29 de julho, com prazo de execução de 12 meses após aprovação da Seapi.

Salerno afirmou que nas duas primeiras fases do programa já foram recebidos 1.121 projetos, com uma área total irrigada de mais de 17 mil hectares e 220 municípios envolvidos. O potencial de subvenção chega aos R$ 45,6 milhões, beneficiando cultivos diversos, como, soja, milho, pastagens, fruticultura e olericultura, entre outros. "A expectativa de aumento de área irrigada até 2027 alcança os 100 mil hectares, o que representa 33% de aumento", observou o gestor, fornecendo outros detalhes do edital.

De forma complementar, a assessora superior da Sema, Isa Osterkamp, ministrou o painel "A irrigação como peça-chave da adaptação climática na agricultura", em que expôs o Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável da Secretaria. Pautada por cinco pilares - capital humano, inovação, ambiente de negócios, infraestrutura e recursos naturais - a política está no guarda-chuva do Plano Rio Grande, que visa a identificar oportunidades para o futuro, a partir da geração de indicadores socioeconômicos e de competitividade, que possam contribuir para uma melhor tomada de decisão.

Ainda em sua palestra abordou a modernização do licenciamento ambiental para a irrigação - atualmente uma licença única que isenta açudes de até cinco hectares, fornecendo ainda informações sobre o novo sistema de outorga da água, que se baseia no Decreto nº 58.058/2025. "Uma outorga feita de forma automática, com menor tempo de espera e um prazo maior de validade, desde que atendidos os pré-requisitos e regulamentações", apontou a profissional. O caso da família Jacobs é exatamente esse, já que, com um açude de pouco mais de um hectare de lâmina de água, fez a produção de milho saltar de 100 para 200 sacas por hectare.

"O caso é que em tempos de estiagem muitas vezes não há outro assunto no meio rural, cabendo a nós, gestores, trabalhar para que estas dificuldades sejam sanadas", pontuou o gerente regional da Emater Cristiano Laste, que estava presente no evento. Outras autoridades, como o prefeito Cezar Juliano Bloemker, a vice Simone Landmeier, o supervisor da Emater Marcelo Brandoli e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) Liane Brackmann também acompanharam o Seminário, valorizando a iniciativa, dada a importância do setor primário para os pequenos municípios da região. Outras informações sobre o assunto podem ser obtidas nos escritórios da Emater.

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