Quando o diálogo e a ação transformam a realidade
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Contar com a confiança do homem do campo e todos que a ele se relacionam, abrindo-lhes amplos espaços de diálogo, sempre foi uma marca em nossa gestão na Secretaria da Agricultura desde 2011.
Já no início, em 2011, por exemplo, o setor arrozeiro exigia ações contra a grave crise vivida, onde combinava preço aviltante, supersafra, estoques elevados e concorrência das importações. Imediatamente, o Governador Tarso Genro liderou mobilização que ao fim obteve da Presidenta Dilma R$ 2,7 bilhões para escoar a produção e renegociar dívidas históricas. A orizicultura aprendeu com a crise e, cremos, passou definitivamente a outro patamar, com estabilidade, exportações maiores que importações (via Cesa - Rio Grande), tributação inteligente e a consolidação da soja como alternativa de diversificação da renda dos orizicultores (saltou de 50 mil para 400 mil hectares a área plantada, quase 40% da área do arroz no Estado).
Foi este o ritmo imprimido desde o início até o final, em 31/12/2014. Nossa visão para a agropecuária e a agroindústria gaúcha foi, sempre, aumentar a produção, a qualidade e, conseqüentemente, a renda privada e pública. Entendíamos ser vital para isso agir simultaneamente em três frentes: 1º) recuperar as funções públicas da pasta e das suas vinculadas (Fepagro, Irga e Cesa); 2º) travar amplo e resolutivo diálogo com todos os elos das cadeias produtivas, buscando sua (re)organização para os novos tempos; e 3º) implantar os programas de fomento e inovação técnica e comercial concertados.
O Rio Grande é o único estado brasileiro a instituir um Plano Safra de caráter complementar ao federal, beneficiando com mais de 60 medidas em cada edição nada menos do que 300 mil agricultores, especialmente os familiares e suas cooperativas. Colhemos as três maiores safras de grãos da história, investimos mais de R$ 1,5 bilhões em agroindústrias novas e a nossa Expointer saltou de R$ 800 milhões para a casa dos 3 bilhões em vendas.
No setor do leite, apesar das rumorosas e necessárias edições da Operação Leite Compensado, o RS foi um dos estados em que aprodução mais cresceu, levando-nos para a segunda posição no País. Apoiamos a pequena indústria como nunca, combinando incentivos tributários com investimentos estruturais e sanitários, além da criação da trilogia divisora de água para o setor: Prodeleite,o Fundoleite e IGL.
O rebanho ovino, devido ao programa Mais Ovinos no Campo, interrompeu seu processo de longa queda e, mais que isso, cresceu quase 20%. O Fundovinos, que desde sua criação em 1998 nunca teve nenhum fundo, passou a arrecadar e seus recursos aplicados em projetos importantes para a melhoria tecnológica e sanitária do setor. O PROESO entrgou o primeiro certificado de propriedade livre de epididimite da história.
Organizamos o setor ervateiro com a mesma estrutura do leite e da uva: Prodemate, Fundomate e Ibramate. Na uva, o Ibravin dobrou os investimentos com recursos do Fundovitis, aplicando volumes recordes no setor, inclusive em modernização do nosso laboratório de referência (Laren), o qual ampliará seu escopo para outros produtos e análises (açúcar e metais pesados na erva-mate, por exemplo).
Na irrigação, o programa Mais Água, Mais Renda (Lei 14.244/2013) triplicou a área irrigada em culturas de sequeiro, que saltou de 105 mil para 300 mil hectares. Fizemos em 3 anos o que levou quase 30 anos para ser realizado no Estado em termos de irrigação com pivots centrais, aliando subvenção à agilidade ambiental em licenças e outorgas. Apesar de ainda ser pouco, pois semeamos mais de 6 milhões de hectares no verão, o programa definitivamente mudou a cultura vigente em nosso estado de que investir em irrigação não compensava. Ao contrário, com 70% de probabilidade de estiagens, a irrigação é o verdadeiro seguro renda do produtor gaúcho de milho, soja, pastagens e hortigranjeiros.
Na Fepagro, houve investimentos recordes em seus 18 centros de pesquisa, em níveis 10 vezes maiores que seu orçamento anual, contando hoje quase 100 graduados pesquisadores e 75 relevantes projetos de investigação. No Irga, cuja história está intimamente ligada ao desenvolvimento da lavoura arrozeira, implantou-se o PCS, realizou-se concurso após 40 anos e contratou-se quase 130 técnicos e consolidou-se tecnologias de rotação com o arroz, como a microcamalhoeira. Em breve estará concluído o Centro de Excelência Orizícola, um investimento de R$ 10 milhões em Cachoeirinha. Na CESA, medidas de gestão reduziram seu passivo histórico, obtiveram lucro operacional após décadas e, agora, investe-se em projetos de logística para exportação (Rio Grande e Capão de Leão).
Um de nossos grandes orgulhos foi recuperar 248 Inspetorias de Defesa Agropecuária no interior, além dos 6 Postos de Divisa, contando-se agora com mais 160 fiscais e 30 técnicos superiores chamados pelo concurso de novembro/2013. Orgulhamo-nos de separar as áreas de defesa e inspeção agropecuária. Com recursos do MAPA, BNDES, próprios e Fundesa, fizemos inúmeras capacitações, aquisições de veículos e equipamentos, realizamos vários inquéritos epidemiológicos, enfim, ações que, por exemplo, resultaram na ampliação do intervalo de exames para anemia infecciosa equina, certificação de livre da traça das maçãs, monitoramento responsável da praga Helicoverpana na soja e do greening nos citros, implantação de ferramentas tecnológicas como o Produtor On Line, a GTA e a PTV eletrônicas, o Sistema de Gestão dos Agrotóxicos, o SUSAF/RS, a normatização da Leis de Defesa Agropecuária animal e vegetal, o início do saneamento geográfico da brucelose/tuberculose bovídea, entre outras tantas ações. Em muito breve, estaremos livres de peste suína clássica e poderemos a curto prazo pleitear o fim da vacinação contra a aftosa.
Frustrou-nos, sim, o fato de não ter se iniciado a rastreabilidade dos 14 milhões de bovídeos gaúchos, devido ao conservadorismo de algumas lideranças da cadeia da carne. Quem perdeu foi a cadeia da carne (e também a do leite), que se viu impedida do uso imediato esta ferramenta essencial para avançar seu status sanitário, para combater o abigeato e para certificar amplamente a carne e o leite gaúchos, sem dúvida os melhores do Brasil em qualidade ambiental e sanitária. Aproveito ainda a oportunidade para agradecer todos os servidores, que com profissionalismo, empenho e competência nos auxiliaram a desenvolver todos esses projetos.
Enfim, dar continuidade a esse processo de protagonismo da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do RS no desenvolvimento primário e agroindustrial é o desafio que se impõe para o próximo período. Temos certeza que a semeadura foi boa e as colheitas continuarão a ser fartas.
Parceiros de verdade e com elevado espírito público não faltarão no campo. Boa sorte ao secretário Ernani Polo e sua equipe. Esta pasta é um orgulho pro Rio Grande!