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Raiva herbívora exige atenção e prevenção no meio rural

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Análise no Laboratório de Raiva do IPVDF, em Eldorado do Sul
Análise no Laboratório de Raiva do IPVDF, em Eldorado do Sul - Foto: João Vicente Ribas – Divulgação Emater/RS-Ascar
Por Tássia Becker Alexandre/Ascom Emater/RS-Ascar

A raiva herbívora exige vigilância constante dos produtores rurais. De janeiro a setembro de 2026, 66 amostras de herbívoros testaram positivo para o vírus no Rio Grande do Sul, segundo dados do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

Transmitida por arranhões, mordidas ou lambidas de animais infectados, a doença é fatal para mamíferos, como bovinos, equinos e também para os seres humanos. "A raiva é causada por um vírus. É uma zoonose que afeta tanto os animais como os seres humanos. Esse vírus tem uma predileção pelo sistema nervoso e causa sintomas neurológicos, como tontura e dor de cabeça. E é uma doença que não tem cura, uma doença fatal", explica a fiscal agropecuária da Seapi, Carla Rosane Rodenbusch.

Os principais transmissores da doença são os morcegos hematófagos, que se alimentam do sangue de outros vertebrados. A extensionista rural da Emater/RS-Ascar Thais Michel explica que, como mamífero, o morcego infectado com raiva também acaba morrendo. No entanto, por apresentar um período mais longo de incubação da doença, pode transmitir o vírus por mais tempo. Por essa razão, a presença de morcegos em uma propriedade rural nem sempre coincide com o início dos sintomas de raiva do rebanho.

De acordo com Carla Rodenbusch, os casos de raiva em herbívoros no Rio Grande do Sul costumam se concentrar nos meses de maio a outubro. Isso porque, antes disso, nos meses mais quentes, aumenta a atividade dos morcegos e o contato com os animais nas propriedades. Como a doença leva de dois a quatro meses para se manifestar, os registros acabam aparecendo meses depois.

Como agir em casos suspeitos

Caso encontre um morcego ou suspeite da doença no rebanho, a orientação para os produtores rurais é evitar o contato com os animais e acionar a Inspetoria de Defensoria Agropecuária mais próxima. Aí será acionado o Programa de Controle da Raiva Herbívora, responsável pelo processo. 

“Sempre que desconfiar de algum animal do rebanho que está com um comportamento diferente do normal, que está com dificuldade de caminhar, mais apático, não está se alimentando direito, que saliva muito, o recomendado é que o produtor já deixe aquele animal isolado, não manipule ele”, salienta Thais Michel.

Após a notificação do caso suspeito, o órgão competente faz a coleta de amostras e envia para análise laboratorial no IPVDF. “A gente faz o primeiro teste, que é a imunofluorescência. Se der positivo, essa amostra é considerada positiva. Se for negativo, a gente faz um segundo teste para ter certeza de que aquela amostra era negativa mesmo”, pontua Carla Rodenbusch.

A fiscal agropecuária reforça a importância da notificação dos casos suspeitos a fim de monitorar a circulação do vírus da raiva e permitir a adoção das medidas necessárias para proteger quem teve contato com o animal. “A raiva é uma doença que não tem cura e a vacinação é a principal forma de prevenção. É preciso fazer o diagnóstico para ter a confirmação do vírus para que as pessoas que entraram em contato com esse animal recebam a vacinação, evitando que adoeçam”, afirma Carla.

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