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Pesquisa da Secretaria da Agricultura avalia potencial de bactérias benéficas para o cultivo do trevo-persa

Leguminosa pode ser cultivada em terras baixas durante o inverno, fazendo rotação com o arroz irrigado

Publicação:

boletim 18
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A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, por meio do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi), publicou o Boletim Técnico nº 18, com resultados de uma pesquisa sobre o uso de bactérias que podem contribuir para a nutrição nitrogenada do trevo-persa (Trifolium resupinatum), uma leguminosa forrageira de inverno.

Adaptado a solos com drenagem deficiente, o trevo-persa tem potencial para uso como pastagem, cobertura do solo e em sistemas de produção em terras baixas, especialmente em áreas de arroz irrigado durante a entressafra. "Assim como outras leguminosas forrageiras, a espécie pode estabelecer uma associação com bactérias chamadas rizóbios, que realizam a fixação biológica de nitrogênio, processo natural que permite à planta aproveitar o nitrogênio presente na atmosfera", detalha o pesquisador Júlio Kuhn da Trindade, um dos autores da publicação.

Apesar desse potencial, ainda faltam recomendações específicas de estirpes de rizóbios para a inoculação do trevo-persa no Brasil. Por isso, o estudo buscou identificar estirpes, ou seja, linhagens de bactérias, capazes de favorecer essa associação e o desenvolvimento inicial da planta. O experimento foi conduzido em casa de vegetação, na Sociedade Educacional Três de Maio (SETREM), com materiais provenientes da Coleção SEMIA de Rizóbios, mantida pelo DDPA.

Os resultados mostraram que todos os materiais avaliados promoveram a formação de nódulos viáveis nas raízes, estruturas associadas à fixação biológica de nitrogênio. "Entre os tratamentos inoculados, a estirpe SEMIA 223 apresentou o desempenho preliminar mais consistente, reunindo os maiores valores médios de crescimento da parte aérea, produção de biomassa seca e teor de nitrogênio no tecido vegetal. Já a combinação SEMIA 222 + SEMIA 2082 apresentou, descritivamente, maior estabilidade na formação de nódulos entre as condições experimentais avaliadas", enumera Júlio.

A pesquisa contribui para a identificação de bactérias com potencial de uso futuro em inoculantes específicos para o trevo-persa, mas novas etapas são necessárias, especialmente a campo. "É preciso fazer avaliações em condições de solo e validação agronômica, para confirmar o desempenho dessas estirpes. A longo prazo, o trabalho pode subsidiar estratégias de manejo que aproveitem melhor a fixação biológica de nitrogênio, com possível redução da dependência de fertilizantes minerais", conclui o pesquisador.

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